SÃO MIGUEL DAS MISSÕES REALIZA EVENTO EM HOMENAGEM À SEPÉ TIARAJÚ
07 de Fevereiro de 2019

O dia 7 de fevereiro, dia da morte do herói missioneiro Sepé Tiarajú, foi marcado com muitas homenagens e reflexão em São Miguel das Missões. A comunidade miguelina, com apoio da Administração Municipal e Câmara de Vereadores, realizou uma programação diferenciada neste dia, com palestra, missa e caminhada.

A palestra sobre a história do Índio Sepé Tiarajú aconteceu na Câmara Municipal de Vereadores, proferida pelo Professor e estudioso sobre o tema José Roberto de Oliveira, que abordou em sua fala a importância deste que foi o grande defensor do povo missioneiro. A missa foi na Igreja Matriz da cidade, celebrada pelo Pé. João, com cantos e liturgia especialmente escolhidos pera este momento, com a presença do Maestro Martin Coplas (Missa Terra Sem Males) e o Coral Guarani da Aldeia Teko'á Koenjú. Logo após todos se uniram numa caminhada até o Sítio Histórico São Miguel Arcanjo, levando no peito uma Cruz Missioneira e uma Cruz de Madeira que foi conduzida durante o trajeto por várias lideranças da comunidade. Chegando na Cruz Missioneira que está em frente à Catedral de São Miguel, no Sítio Histórico, todos ficaram em oração por alguns instantes e de mãos dadas pediram por proteção dos Santos Missioneiros em especial São Sepé Tiarajú.

Nascido José na redução de São Luiz Gonzaga -- catequizado desde o berço, portanto --, Sepé Tiarajú, figura central desse conflito, perdeu os pais ainda cedo. Amparado pela organização social das reduções, teve acesso aos estudos e chegou ao cargo de corregedor (prefeito) da redução de São Miguel.

Sepé não teve de enfrentar os bandeirantes paulistas, como seus ancestrais haviam feito desde o início das reduções, no começo do século 17, recuando cada vez mais ao sul a fim de evitá-los. Desde a batalha de Mbororé (1641), quando guaranis e jesuítas expulsaram de uma vez por todas os bandeirantes, as reduções prosperaram. As cidades indígenas chegaram a abrigar, em seu auge, mais de 30 mil pessoas, donas de um impressionante rebanho de dois milhões de cabeças de gado -- símbolo da economia do pampa até hoje.

 


Nas reduções, criou-se um sistema de produção cooperativa. Órfãos e idosos eram sustentados pelo trabalho coletivo. Em uma época de escravidão ao redor do mundo, nas reduções a jornada de trabalho era de apenas seis horas, aumentando somente na época do plantio e da colheita. Em tempos de reinados, os guaranis elegiam seus representantes. Cada família tinha direito a uma casa para morar. O excedente da produção era vendido nas cidades fora das reduções e o dinheiro era usado para pagar impostos à coroa espanhola. A avançada organização do trabalho nas reduções permitiu o florescimento de artes como pintura, escultura e música.

Para portugueses e espanhóis, nada disso importava. O Tratado de Madri previa que os guaranis deixassem suas terras, mudando-se para o outro lado do rio Uruguai. Com a recusa guarani em sair das terras, os impérios unem-se para expulsá-los à força.

Sepé lidera os índios valendo-se de táticas de guerrilha e emboscadas – seu sucesso garantiu até mesmo um armistício entre guaranis e as tropas luso-espanholas. Porém, em 10 de fevereiro de 1756 (três anos depois do início do conflito), cerca de 1,5 mil indígenas foram mortos na batalha de Caiboaté. Apenas três dias depois de seu líder, Sepé, tombar sob a lança de um português e a bala de um espanhol, na Sanga da Bica, onde hoje fica o município gaúcho de São Gabriel.

Por Izabél Cristina Ribas

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