Saga heroica indígena é tema de espetáculo há 40 anos no Rio Grande do Sul
07 de Março de 2019
Saga heroica indígena é tema de espetáculo há 40 anos no Rio Grande do Sul
Espetáculo Som e Luz narra a relação entre os jesuítas e os índios guaranis no Brasil por meio de narrações e de um jogo de luzes

 Ao anoitecer, as ruínas do Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo, em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul, se transformam. Todas as luzes são apagadas e os visitantes, que se acomodam na arquibancada da antiga praça, têm, por alguns breves minutos, apenas o silêncio e as luzes da lua e das estrelas como companhia. Depois, ao longo de 48 minutos, os espectadores são convidados a conhecer um pouco mais sobre a relação entre os jesuítas e os índios guaranis no Brasil, por meio de narrações e de um jogo de luzes sobre a antiga igreja, as árvores e as demais ruínas.

O vermelho, o branco, o azul, o violeta e o verde são algumas das cores que se revezam sobre as ruínas, conforme o trecho da história, que é narrada pelas vozes de atores consagrados, como Fernanda Montenegro, Lima Duarte e Paulo Gracindo.

O espetáculo Som e Luz foi criado pelo governo do Rio Grande do Sul em 1978, com apoio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), instituição vinculada ao Ministério da Cidadania. O texto e o roteiro são de autoria de Henrique Grazziotin Gazzana. Em 2016, o governo federal, por meio do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), investiu mais de R$ 2 milhões na revitalização e modernização do espetáculo. Foi feita a substituição da tecnologia analógica pela digital, a troca de amplificadores, a trilha foi remasterizada e foi feita a instalação de caixas de som atrás da plateia, além das que já ficavam à frente.

“Este ano, vamos completar 41 anos de exibição. O espetáculo ocorre todos os dias aqui. Depois do Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo e do Museu das Missões, é o grande atrativo do município. Deste espetáculo, a gente retira os investimentos para infraestrutura turística e para eventos que vêm fomentar ainda mais o turismo aqui em São Miguel das Missões”, explica o secretário municipal de Turismo, Desenvolvimento e Cultura, Fabiano Moraes.

Tombado como Patrimônio Cultural pelo Iphan, em 1938, e declarado Patrimônio da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em 1983, o Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo recebe diariamente milhares de turistas do Brasil e do exterior, que ficam no local até à noite para prestigiar a apresentação. Para melhor atender a esse público, há versões do espetáculo em espanhol e em inglês, em dias intercalados, sempre antes ou depois das apresentações diárias em português.

“Eu sou apaixonada, não me canso de vir aqui. Porque é uma história que me encanta. Muito bem feito, bem elaborado. É emocionante mesmo. Vale a pena vir, porque mesmo quem não conhece a história, aqui fica sabendo um pouco”, afirma a estudante Samara Ruckert.

Samara estava com o tio, o empresário Sinélio Vargas, que mora em Santa Catarina, mas que, sempre que vai a Missões, aproveita para ver o espetáculo. “Vim ao espetáculo aqui umas oito vezes. Inclusive, em uma parceria que a gente fez com a universidade de Santo Ângelo, eu trouxe o pessoal aqui para assistir. Foi maravilhoso, todo mundo gostou. Falam muito, até hoje, quando me encontram. Trago, sempre que eu posso, outras pessoas. Hoje, eu trouxe a minha mãe, que, apesar de ser daqui, mora em Santa Catarina e nunca tinha assistido ao espetáculo e adorou”, contou o empresário.

egundo a Secretária Municipal de Turismo, Desenvolvimento e Cultura de São Miguel das Missões, apenas no ano passado, foram quase 41 mil pessoas que assistiram ao espetáculo. “Tem alguns meses que o turismo é mais forte, como novembro, em que aproximadamente 10,2 mil pessoas assistem ao espetáculo”, destacou o secretário.

Herói da Pátria

O escritor e pesquisador José Roberto de Oliveira ressalta que o espetáculo Som e Luz ajuda a manter viva essa parte da memória e da história nacional, além de ser uma das poucas manifestações artísticas brasileiras que tem como grande herói um indígena, Sepé Tiarajú, da etnia Guarani. “É o único índio brasileiro herói da pátria. No mesmo nível de Tiradentes, Dom Pedro I e tantos outros heróis brasileiros. Então, a importância de estar aqui neste lugar e louvando, obviamente, esse herói indígena brasileiro registrado oficialmente no Panteão da Pátria”, afirma Oliveira.

“Com chuva ou vento, sempre tem turistas e até o pessoal daqui gosta bastante de participar. É uma satisfação. A gente se sente feliz de poder fazer parte deste espetáculo que é Patrimônio Cultural da humanidade. A gente se sente bem de poder transmitir um pouco da história daqui para o pessoal que vêm nos visitar”, afirma o técnico do espetáculo Marlon Rogério Covari.

Serviço 
Espetáculo Som e Luz
Diariamente – às 20h 
Durante o horário de verão – 21h30
Ingressos: R$ 25,00 – inteira e R$ 10,00 – meia

Apresentações em espanhol 
Terça, Quinta e Sábado 
Fevereiro, Março, Abril, Setembro, Outubro – 21h 
Maio, Junho, Julho e Agosto – 19h
Durante o horário de verão – 22h30
Ingressos: R$ 30,00 – inteira

Apresentações em inglês 
Quarta, Sexta e Domingo
Fevereiro, Março, Abril, Setembro, Outubro – 21h 
Maio, Junho, Julho e Agosto – 19h
Durante o horário de verão – 22h30
Ingressos: R$ 50,00

Por Camila Campanerut/ Ministério da Cidadania

Fonte: Assessoria de Comunicação/Secretaria Especial da Cultura/Ministério da Cidadania

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