Primeira ação será uma reunião com prefeitos, secretários municipais de Agricultura, representantes da Emater e sindicatos da região, na próxima segunda-feira, dia 05 de janeiro, na sede da Associação, em Cerro Largo.
Na maioria dos municípios missioneiros a atividade leiteira é a principal fonte de renda para os agricultores familiares. Mas eles não esperavam enfrentar uma grave crise, atribuída à descoberta de fraudes, adulterações do produto e às dificuldades financeiras de várias empresas do setor lácteo. O que ocorre, há meses, em todo o estado do RS, é que os produtores estão fornecendo leite para as empresas que, por sua vez, não oferecem mais garantia de preço nem de pagamento. Como não recebem o dinheiro e precisam pagar as contas, se obrigam a recorrer aos empréstimos bancários com altos juros, apoio de amigos e até vender os próprios bens. Para amparar os produtores missioneiros, a Associação dos Municípios das Missões (AMM) vai agregar esforços ao trabalho que vêm sendo feito pela Emater e Sindicatos dos Trabalhadores Rurais (STRs) da região.
Com o objetivo de elaborar ações conjuntas e exigir providências emergenciais das empresas, na segunda-feira, dia 5 de janeiro de 2015, a partir das 14 horas, na sede da AMM em Cerro Largo, será realizada uma reunião com a participação dos prefeitos, secretários municipais de Agricultura, integrantes da Emater, Sindicatos dos Trabalhadores Rurais e cooperativas de leite da região. O encontro prevê um levantamento estimando o prejuízo da cadeia produtiva do leite na região das Missões, e número de famílias que dependem do setor.
Negociação com as indústrias
João Kleszta, coordenador dos STRs da Regional Missões I, que compreende os municípios de Guarani das Missões, Cerro Largo, Salvador das Missões, São Pedro do Butiá, Caibaté, Mato Queimado, São Miguel das Missões, Eugênio de Castro, Entre-Ijuís, Santo Ângelo e Vitória das Missões, relatou algumas das iniciativas desenvolvidas para garantir o pagamento aos produtores. "O sindicato está dialogando com as indústrias de leite que não estão protegidas por recuperação judicial, entre elas a Promilk, Santa Rita, LBR e Bom Gosto. Dependendo da negociação, iremos reivindicar providências pessoalmente. A primeira será a Santa Rita Laticínios, em Estrela, que pretendemos ir na próxima semana", avisou Kleszta, ao evidenciar: "temos o apoio dos prefeitos missioneiros que estão empenhados em ajudar os produtores de leite, pois muitos gestores municipais são pecuaristas ou têm familiares que dependem da agricultura", acrescentou.
Prejuízos nos municípios
Com aproximadamente 1.800 habitantes, em Mato Queimado, conforme relatou o prefeito Nelson Hentz, 30% da população sobrevive do setor lácteo. "A situação é desesperadora, pois os nossos produtores estão vendendo leite a 40 centavos o litro. O comércio parou e o prejuízo já chega a 1 milhão de reais", lamentou Hentz, salientando a necessidade de somar esforços com os Sindicatos dos Trabalhadores Rurais. "Os prefeitos precisam ir junto para pressionar as empresas a efetuarem o pagamento dos agricultores, cujas dívidas se multiplicam a cada dia", enfatizou.
De acordo com o chefe do escritório da Emater de Sete de Setembro, Irineu Kapelinski, 60% dos produtores de leite do município, com cerca de 2.200 habitantes, sofreram prejuízos com o atraso do pagamento. Ele explicou que em torno de 520 famílias vivem na área rural, das quais 284 sobrevivem da produção leiteira. Já em São Pedro do Butiá, a bacia leiteira gira em torno de 40 mil litros diários. "Imagina o dinheiro que deixa de circular num município com menos de 3 mil habitantes, em que cerca de 500 produtores dependem diretamente da produção de leite", pontuou o prefeito Henrique Herbele.
Outra cidade da AMM em que a situação está bastante crítica é Guarani das Missões. Segundo João Kleszta, presidente local do STR, no município com população estimada em 8 mil habitantes, cerca de 2.800 famílias vivem na área rural e 2 mil têm na produção de leite o único meio de sustento. Ele contou que até agora o prejuízo é de 50%. Preocupada com a comunidade, a prefeita municipal Janete Dauek destacou: "durante todo ano de 2014 os municípios tiveram que adotar medidas drásticas de contenção de gastos para equilibrar as finanças. Não bastasse isso, agora estamos enfrentando esta grave crise no setor lácteo, que atinge os produtores, o comércio e a economia local", frisou a prefeita guaraniense ao acrescentar que ela e o secretário de Agricultura vão se reunir com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do município, e avaliar ações que venham ao encontro das necessidades dos agricultores familiares.
Com receio de piorar ainda mais a situação, produtores de leite das Missões preferiram não se manifestar sobre o assunto.
Presença de lideranças missioneiras
Prefeitos, vices e secretários de Agricultura dos 26 municípios da AMM, especialmente das localidades que mais sofrem com o atraso no pagamento do leite, são esperados na reunião de segunda-feira. O deputado eleito Eduardo Loureiro disse que não poderá comparecer, mas assegurou que um de seus assessores estará presente. Também é fundamental a participação da imprensa regional para dar mais visibilidade e força à esta luta, que afeta a economia de toda a região missioneira.