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Comunidades locais podem ser a ligação entre Patrimônio Cultural e turismo

Publicado em 25/10/2019
Por Izabél Cristina Ribas

 No norte de Portugal, 12 municípios fazem parte de uma região que integrou turismo e Patrimônio Cultural: a Rota do Românico se tornou uma das principais referências na criação de produtos turísticos a partir de bens patrimoniais. Entre castelos, pontes e paços, que compõem a rota histórico-cultural, o turista é levado a percorrer os caminhos da Idade Média que remetem à história da formação de Portugal. A pesquisa, a estruturação da rota e a relação com as comunidades locais foram um dos principais temas abordados durante o Seminário Internacional Patrimônio + Turismo, que ocorre na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre (RS). Para um público de gestores de todo o Brasil, o projeto português pode ser referência sobre como comunidades locais devem participar ativamente de cadeias produtivas do turismo.

“A ideia é mostrar uma experiência prática de como se organiza uma rota patrimonial em produto turístico”, resumiu a diretora da Rota do Românico, Maria do Rosário Machado, uma das palestrantes do seminário e que também aborda a experiência em artigo da edição 39 da Revista do Patrimônio (link). Um projeto que se desenvolveu no decorrer de 20 anos e caminhou “com num patrimônio medieval muito ligado à história de Portugal, mas que nunca havia sido considerado como turístico”, diz Maria do Rosário, que também é diretora do Centro de Estudos do Românico e do Território.

E para viabilizar uma visitação sustentável aos 58 monumentos situados no norte português, foi fundamental a participação de comunidades locais. Antes de dar visibilidade a esculturas que ornamentam fachadas, claustros e todo o estilo românico que remonta ao século X, era preciso que a população se apropriasse desses bens. “O patrimônio é fator de orgulho territorial. Era um bem muito antigo, mas que não se tinha noção dessa importância histórica”, relembra Maria do Rosário. A estratégia do projeto foi dialogar a partir de atividades realizadas entre famílias e escolas. “Demonstramos como podem criar empreendedorismo, criar emprego e turismo, criar negócio, tendo como base a Rota do Românico.”

A comunidade passa, então, a ter papel central na Rota. E a mediação foi realizada pelos chamados centros de interpretação – instituições de caráter museológico que assumem variadas funções. O centro de interpretação da Rota do Românico, por exemplo, se tornou um “veículo de atração e disseminação para todo o patrimônio de uma região mais alargada, que envolve 12 municípios”, explicou Maria do Rosário, adiantando debates conduzidos por António Ponte, diretor regional de cultura do Norte, em Portugal.

FONTE: Comunicação IPHAN

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