Gestores missioneiros querem alternativas que possam blindar municípios dos efeitos negativos da falta de recursos
“Entendemos o lado do Estado, mas a grande pergunta é: será que as medidas de cortes projetadas pelo governador José Ivo Sartori, realmente vão contornar os efeitos da crise financeira, que afeta diretamente os municípios?". A indagação do prefeito de Santo Antônio das Missões, Puranci Barcelos dos Santos, no Fórum Regional do Plano Plurianual Estadual - PPA/RS (2016/2019), que ocorreu na manhã de terça-feira (31/03), na Unijuí, reflete o sentimento de preocupação dos prefeitos que integram a Associação dos Municípios das Missões (AMM).
O evento, que contou com a presença do governador José Ivo Sartori, serviu para que as autoridades estaduais abordassem, mais uma vez, a difícil realidade das finanças públicas do Rio Grande do Sul e os efeitos diretos das medidas para os municípios. Cientes da necessidade de alternativas para amenizar a crise pois, conforme reiterou o prefeito Puranci, "sem investimentos dos governos federal e estadual não tem como executar ações prioritárias e, infelizmente, as comunidades são as mais prejudicadas", uma das sugestões citadas por ele foi a possibilidade do governo gaúcho implementar um plano emergencial de apoio aos municípios.
Rombo nas contas
Promovido pelos Conselhos Regionais de Desenvolvimento (Coredes) das Missões, Fronteira Noroeste, Celeiro e Noroeste Colonial, o Fórum, além de debater a elaboração do PPA, que é providenciado no primeiro ano de governo e planejado para os quatro anos seguintes, também incluiu a visita da Caravana da Transparência, iniciativa do governo RS que visa apresentar a realidade das finanças públicas do Estado. Na ocasião, o secretário da Fazenda, Geovani Feltes, voltou a dizer que em 2015 faltarão R$ 5,4 bilhões nos cofres públicos do Estado, e o déficit na previdência é de R$ 7,25 bilhões. E que, apesar de todas as medidas decretadas pelo governo, publicadas em 2 de janeiro, haverá uma economia de apenas R$ 600 milhões no primeiro semestre.
No evento, o governador Sartori foi o primeiro a se pronunciar, reiterou que a crise financeira do Rio Grande do Sul é muito grave e levará bastante tempo para ser equacionada. Ele pediu, mais de uma vez, a confiança e a união dos gaúchos. "Não podemos ter receio deste enfrentamento, pois será um ano difícil para todos os setores da sociedade. O Rio Grande tem rumo. Pode demorar, mas com o engajamento de todos, vamos sair dessa", assegurou.
Crise generalizada
Na na avaliação do prefeito de Garruchos, Carlos Cardinal, que também estava presente, o exemplo de transparência das finanças públicas do Estado tem influência positiva para as prefeituras. "Esperamos recursos financeiros dos governos federal e estadual, mas é importante salientar que a crise está em todo o país", disse Cardinal, que foi austero: "o grande trunfo é combater o desvio do dinheiro público. Grandes projetos nacionais estão comprometidos com a corrupção, que está generalizada", enfatizou o prefeito garruchense.
Participação da AMM
O presidente da Associação dos Municípios das Missões e prefeito de Giruá, Angelo Fabiam Duarte Thomas; o diretor do Detur e prefeito de São Luiz Gonzaga, Junaro Figueiredo; o prefeito de Porto Xavier, Paulo Sommer e o vice-prefeito, Fábio Bratz; o prefeito de Entre-Ijuís, Paulo Meneghine e o vice-prefeito, Brasil Antonio Sartori; o prefeito de Santo Ângelo, Valdir Andres e a vice-prefeita, Nara Damião; os vice-prefeitos de Rolador, Mauro Santos; de São Miguel das Missões, Francisco Fang; secretários municipais, vereadores entre outros representantes da região das Missões também participaram do evento, que reuniu dirigentes dos Coredes, secretários estaduais, deputados, universitários, professores e comunidades regionais.