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Boa Madrugada | segunda-feira, 09 de fevereiro de 2026

IPHAN e municípios da AMM vão desenvolver projeto pioneiro de valorização da história missioneira

Publicado em 15/09/2014
Por Karin Schmidt

Edital para a contratação dos profissionais que vão atuar nas pesquisas do Parque Histórico e Nacional das Missões deve ser publicado pela Unesco, até o próximo mês de outubro

A história cultural dos 26 municípios integrantes da Associação dos Municípios das Missões (AMM) começará a ser pesquisada, em profundidade, a partir do próximo ano. O desbravamento da região, o processo de colonização, o impacto da presença dos jesuítas no desenvolvimento dos municípios, os costumes, os acervos históricos e pessoais, o imaginário, a arte sacra, as fotografias e as tradições são alguns dos aspectos do abrangente levantamento documental, que será realizado por uma proposta pioneira do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) denominada Valorização da Paisagem Cultural e do Parque Histórico Nacional das Missões Jesuíticas dos Guaranis (PHNM).

Até o próximo mês de outubro, deverá ser publicado no site da Unesco, parceira do projeto, edital detalhando o processo e o perfil  dos profissionais que vão atuar nas pesquisas em toda a região. Após a escolha da equipe, deve acontecer uma reunião da coordenação nacional do projeto, na sede do Iphan, em Brasília, provavelmente em novembro. Na região das Missões, os encontros de trabalho com os profissionais selecionados só vão começar a partir de fevereiro de 2015, pois, até lá, o Instituto vai trabalhar na organização das questões burocráticas do processo. 

Instalação do Parque

A iniciativa visa promover o conhecimento da paisagem cultural e fornecer subsídios para o desenvolvimento dos instrumentos de gestão que auxiliem no processo de instalação do Parque, buscando, sobretudo preconizar seu valor como Patrimônio Nacional e da Humanidade, por meio da promoção de sua diversidade sociocultural e ambiental, assim como de seu potencial como ferramenta indutora do desenvolvimento regional.


Diversidade do patrimônio missioneiro

De acordo com o projeto, lançado oficialmente em agosto passado, em São Miguel das Missões, no Tenondé Park Hotel, que reuniu representantes da região, Iphan, Unesco, Ministério da Cultura, governo do Estado, entre outros participantes, nos próximos três anos serão investidos 3,7 milhões de reais, disponibilizados pela Unesco, para ampliar os conhecimentos da história missioneira com a participação de toda a sociedade. O objetivo é realizar uma ampla pesquisa, inclusive de acervo pessoais dos cidadãos, nas comunidades dos 26 municípios. A iniciativa inclui a possibilidade de buscar informações também em outros municípios fora da região. 
         
Os detalhes do projeto foram apresentados aos integrantes dos municípios da AMM, em São Miguel das Missões, nos dias 18 a 22 de agosto deste ano, pelos técnicos do Iphan e da Unesco, que vão coordenar os trabalhos. Visita ao sítio arqueológico São João Batista, em Entre-Ijuís,  fez parte das atividades do grupo. “Queremos mudar a forma de tratamento do patrimônio histórico missioneiro com a constituição de um Parque que terá um território muito mais amplo, não apenas os quatro sítios arqueológicos já tombados. Ainda temos que conceber este Parque, mas primeiro vamos conhecer a diversidade do patrimônio desta região e depois vamos definir a forma de gestão”, explicou o superintendente estadual do Iphan, Eduardo Hahn.

Região unida

O presidente da AMM, prefeito Junaro Rambo Figueiredo e a diretora do Detur/Funmissões, prefeita Rosane Grabia expressaram entusiasmo com a proposta. "Pela primeira vez, a região trabalha unida em um projeto que propõe o desenvolvimento sustentável com a preservação ambiental, cultural e o turismo. Estamos atuando juntos, não somente os Sete Povos que são nosso legado, mas todos os 26 municípios que fazem parte da Associação”, enfatizou Junaro. Esta também é a opinião da prefeita Rosane Grabia, para quem a região das Missões está vivendo um momento único por ser contemplada com este projeto piloto. "Teremos ainda mais força para lutar por uma melhor infraestrutura viária, agilização das obras de modernização do aeroporto de Santo Ângelo e construção da ponte internacional em Porto Xavier, que permitirão mais condições para recebermos nossos turistas”, acrescentou a diretora do Detur.  

Junaro Rambo Figueiredo, que também é prefeito de São Luiz Gonzaga, foi indicado como representante da Funmissões junto ao Iphan, e a prefeita de Sete de Setembro, Rosane Grabia foi escolhida para representar a AMM. O prefeito de São Miguel, Hilário Casarin, evidenciou a importância desta ação direcionada ao crescimento do turismo missioneiro e garantia de mais visitantes. “Nossa região precisa continuar unida. Empresários, prefeitos, comunidades, universidades, todos nós precisamos acreditar que o turismo e o desenvolvimento da região são viáveis e para que as coisas realmente aconteçam”, incentivou. 

Contratação de consultores

O assessor de Relações Internacionais do Iphan Brasil, Marcelo Brito, reiterou que é fundamental o engajamento dos 26 municípios, especialmente nesta fase inicial. Ele relatou que os próximos passos terão vários desdobramentos, que vai implicar na contratação dos consultores que atuarão no projeto. "Serão lançados os editais, que serão públicos, e os interessados da região podem participar da seleção. A partir da experiência, formação e currículo de cada um é que será determinada a forma de colaboração nos trabalhos", esclareceu Marcelo Brito. Segundo ele, na próxima reunião do comitê gestor, em novembro, a previsão é que sejam assinados os acordos de cooperação com as prefeituras municipais e governo estadual. 

O superintendente estadual do Instituto, Eduardo Hahn, explicou que serão realizadas reuniões regionais com os representantes de todos os municípios da AMM. Ele informou que está previsto para fevereiro de 2015 o próximo encontro na região das Missões. "Agora estamos na fase de reestruturação do projeto. Nossa preocupação é a organização burocrática do processo. Inclusive a contratação dos profissionais que irão fazer o levantamento documental depende de todo um procedimento administrativo, além da liberação de recursos da própria Unesco", pontuou o superintendente.

Contribuição da Unesco

Coordenadora de Cultura da Unesco no Brasil, Patrícia Reis salientou que a participação da Unesco neste projeto permitirá uma troca de experiências que vai auxiliar na construção da metodologia de um plano regional de levantamento e pesquisa. "Estas informações poderão ser utilizadas posteriormente, em outros sítios arqueológicos e patrimônios históricos mundiais. Temos uma série de atividades delineadas e encaminhamentos a serem feitos, como a contratação dos primeiros consultores e formação da equipe técnica que trabalhará diretamente com o projeto", explanou Patrícia Reis. 

Fortalecimento do turismo local

A Secretária Executiva do Detur, Izábel Cristina Ribas disse que a região vive um momento de grandes conquistas no setor de turismo. "Estamos fazendo um trabalho conjunto para alavancarmos o desenvolvimento da região, com ações para fomentar o turismo nos 26 municípios das Missões", comemorou Izábel que também é secretária de Turismo de São Miguel das Missões. Ela explicou que o projeto envolvendo o Parque Histórico e Nacional das Missões Jesuíticas Guaranis visa, principalmente, reunir documentos para um histórico mais completo, que vai ajudar os gestores na tomada de decisões para o fortalecimento dos municípios. Mas, alertou ela: "para que possamos avançar neste projeto é necessário o engajamento de todos os municípios".

Infraestrutura logística

O vice-prefeito de Entre-Ijuís, município onde está o sítio arqueológico de São João Batista, Brasil Antônio Sartori, citou a importância da participação dos 26 municípios no processo, pois as bases da delimitação inicial do novo Parque das Missões, serão os municípios que compõem a AMM. “No final dos três anos poderemos ter um produto que vai unir o patrimônio real material com o patrimônio imaterial  criando uma mística, que vai atrair mais visitantes de outras regiões e até do exterior”, lembrou ele. Outro aspecto evidenciado pelo vice-prefeito "é que este projeto será a fundamentação para que os prefeitos consigam viabilizar as obras de infraestrutura logística na região, essenciais para bem acolher os visitantes".

Participação das comunidades

Também a Secretária de Turismo de São Nicolau, onde se localiza um dos quatro sítios arqueológicos, Ana Paula Alvarenga, reafirmou que é fundamental para o êxito do projeto o envolvimento efetivo das comunidades. "O Iphan precisa da nossa colaboração. Podemos e devemos participar  ativamente enquanto prefeitura e administração municipal, informando a população sobre o funcionamento e relevância do Parque para a região. Deixamos de ser Sete Povos isolados para trabalhar todos os municípios missioneiros unidos e  envolvendo todas  as culturas, que  atualmente compõem este cenário que não é somente herança guaranítica, pois temos também influências de várias outras culturas”, explicou Ana Paula Alvarenga.     

Alternativas de desenvolvimento 

Para o professor da Unipampa/São Borja, Muriel Pinto, o projeto é a nova forma de planejamento territorial de todos os municípios do entorno dos Sete Povos das Missões. “Todos os municípios que integram a AMM poderão fazer parte do Parque Histórico e Nacional das Missões. E quando isto ocorrer haverá mais proteção, valorização e apoio do governo federal, ou seja, os municípios terão um maior amparo legal no que tange a proteção do patrimônio cultural, que estará não só na área de abrangência das reduções jesuíticas, mas também com todas as outras manifestações culturais de colonização alemã, italiana ou cultura ribeirinha. Todas elas serão contempladas dentro deste grandioso projeto", evidenciou Muriel Pinto lembrando que isto dará um novo impulso ao turismo missioneiro, possibilitando outras alternativas de desenvolvimento sócio econômico para a região das Missões.

 


 

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