Apesar da imponência de igrejas e castelos medievais, a Rota do Românico se consolida por meio de memórias que circulam entre famílias, amigos e comunidades dos vales do Douro, do Tâmisa e do Sousa, o norte de Portugal.
Os séculos que conectam a formação do românico à Portugal contemporânea, estão diretamente vinculados à História portuguesa: povo, nação e território se entrecruzam na rota que hoje é vetor do turismo.Diretor regional de cultura do Norte, em Portugal, António Ponte, que também assina artigo na Revista do Patrimônio, acredita no papel do Patrimônio Cultural como elemento de dinamização e desenvolvimento econômico dos territórios. Desenvolvimento para populações. Desenvolvimento para regiões. “Temos percebido que o turismo é uma forma de se valorizar a cultura e o Patrimônio Cultural. O turismo terá mais valor quanto mais as comunidades valorizarem o patrimônio dos territórios, a sua autenticidade”, observa Ponte.
Turismo e Patrimônio Cultural não competem entre si, avalia o gestor, mas são complementares. No campo da cultura, produtos turísticos “não são um fim, mas um meio de poder promover o território, a diferenciação do território e a valorização da comunidade, mas não se pode esquecer que a missão primária dos técnicos do patrimônio é salvaguardar e valorizar o Patrimônio Cultural”, diz ele, que é professor associado da Universidade do Porto. Perspectivas que podem ser interpretadas e servir de referências de Norte a Sul do Brasil: do Complexo Cultural do Boi Bumbá do Médio Amazonas e Parintins (AM) às Tradições Doceiras de Pelotas (RS).
Em meio a territórios com história e comunidades que mantêm relações de memória e afeto com paisagens, arquiteturas e manifestações diversas, como é o caso brasileiro, é preciso equilíbrio entre cultura e economia. Para isso, na opinião de Ponte, é fundamental que a “cultura não reaja ao turismo, mas que planifique o turismo”. O equilíbrio dessa relação, projeta o gestor, reside na atuação de instituições públicas, que devem intervir e salvaguardar e, apenas depois, “promover a fruição dos bens a partir da capacidade de carga de cada um”.
E, assim como Maria do Rosário, António Ponte indica os centros interpretativos como um dos principais instrumentos de gestão, já que “não terão tanto uma função de conservação patrimonial, mas sim atuarão num patamar da comunicação, com conteúdos acessíveis à comunidade em geral”. Centros interpretativos que podem atingir um duplo objetivo: fomentar o afeto entre as comunidades e seus bens patrimoniais e, ainda, ser meios de comunicação para os turistas que procuram cultura e história, arte e arquitetura.
FONTE: Comunicação IPHAN