A Associação dos Municípios das Missões (AMM) tem sediado importantes debates regionais direcionados às causas municipalistas, e problemáticas das comunidades do interior. O mais recente ocorreu durante todo o dia de sexta-feira (11/9), quando esteve em discussão o futuro da cadeia leiteira, e situação das mais de mil famílias missioneiras excluídas desta atividade. “Temos plena ciência da força e responsabilidade da nossa Associação diante de reivindicações como esta, que afeta a vida dos produtores rurais. Todas as gestões da AMM convergem numa única direção: somar esforços e buscar soluções, sem olhar questões políticas e ideológicas”, afirmou o presidente da entidade, Angelo Fabiam Duarte Thomas.
A iniciativa, promovida pela Emater, APL Missões, AMM e Sindicais Regionais, teve por objetivo o planejamento de estratégias e ações conjuntas em apoio à agricultura familiar, de modo especial às famílias que têm no leite o único meio de sobrevivência. Thomas, que é prefeito de Giruá, fez questão de ressaltar a importância da valorosa atuação de todas as representações, que trabalham unidas para viabilizar condições que propiciem a permanência dos agricultores familiares missioneiros no meio rural, pois eles exercem papel fundamental na economia local e regional.
Gargalos
Falta de sucessão familiar e mão de obra; baixo preço pago pelo leite; deficiências na alimentação e sanidade animal; falta de investimentos em técnicas de qualidade; dificuldades de acesso à créditos e incentivos; falta de área e conservação do solo; baixa rentabilidade da atividade; insegurança no mercado, entre outros itens, foram citados pela Emater como sendo os principais gargalos para o desenvolvimento da produção leiteira.
Ações
Na região das Missões são produzidos mensalmente em torno de 18 milhões litros de leite, por mais de 10 mil agricultores familiares. Neste sentido, todas as informações deliberadas no evento estão sendo sistematizadas para posterior encaminhamento aos 26 municípios missioneiros, que terão um prazo para apresentar sugestões e alterações, acerca dos encaminhamentos propostos.
Entre as alternativas que serão desenvolvidas na região missioneira para impulsionar e fortalecer a agroindústria familiar, destacam-se: comprometimento do poder público e entidades representativas do setor agropecuário, em analisar o histórico e procedência das empresas antes que elas iniciem os trabalhos nos municípios, para evitar possíveis calotes; cada município deve fazer um diagnóstico de suas atividades produtivas e do mercado, de forma a avaliar o que é mais rentável e viável, para então apresentar aos produtores; por meio de assistência técnica qualificada capacitar produtores excluídos, para que eles tenham condições de desenvolver pluriatividades.
Produtores rurais, prefeitos, vices, primeiras-damas, secretários de Agricultura, vereadores, professores, universitários, representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), imprensa, Corede Missões, entre outras forças produtivas da região, participaram do encontro, que reuniu cerca de 170 pessoas, na sede da Associação dos Municípios das Missões, em Cerro Largo.