Participação da região no Festival Internacional de Turismo em Buenos Aires, projeto de construção da Basílica no Caaró e Expo São Luiz 2015, integram a pauta do encontro
O Centro de Artes Lucas Franco de Lima em São Luiz Gonzaga será palco da reunião mensal do Detur/Funmissões, na próxima terça-feira, dia 14 de outubro. O encontro terá início às 9 horas da manhã com show de artistas locais, que estarão demonstrando porque o município é conhecido como a 'Capital Estadual da Música Missioneira'. A programação inclui visitação a alguns pontos turísticos da cidade e um almoço tradicionalista, que será realizado no CTG Galpão de Estância. São esperados prefeitos, vices, secretários municipais e responsáveis pelo setor de turismo, empresários, imprensa, e outros representantes que congregam os 26 municípios da Associação dos Municípios das Missões (AMM).
Entre os assuntos que estarão em pauta destacam-se: infraestrutura turística dos novos empreendimentos da rede hoteleira são-luizense; apresentação do projeto de integração da Expo São Luiz/2015, que propõe um espaço na feira para que todos os municípios da região possam divulgar suas potencialidades de fomento ao turismo; projeto de construção da Basílica Menor no Caaró; representação das Missões no Festival Internacional de Turismo da América Latina, no período de 25 a 28 de outubro deste mês, em Buenos Aires, além de outras ações que estão sendo desenvolvidas pela equipe do Detur, com o apoio de todos os municípios da AMM, em favor do crescimento do turismo missioneiro.
Quatro Troncos da Cultura Missioneira
São Luiz Gonzaga foi pioneiro, nas décadas de 70 e 80, entre os municípios da região das Missões, na apropriação de referenciais guaranis do passado, motivando a população a apresentar-se como missioneira. Nesse contexto, um dos episódios mais interessantes da cultura brasileira, o resgate e a definição da identidade missioneira, teve São Luiz Gonzaga como epicentro. Não só por sua importância, mas pela forma como ocorreu, espontânea e totalmente à margem dos âmbitos letrados, tendo como artífices artistas populares com sólida cultura.
Autodidatas, os quatro missioneiros, Jayme Caetano Braun, Noel Guarany, Pedro Ortaça (nascidos em solo São-luizense) e Cenair Maicá, contaram as suas histórias de luta, garra e superação. Foram denominados como os Quatro Troncos da Cultura Missioneira, cada qual com seu estilo, criando uma marca na cultura musical gaúcha, a “Identidade Musical Missioneira”.
Promessa de fé e paz
Em 1924, Luiz Carlos Prestes acampou com sua tropa em São Luiz Gonzaga. As Forças Legalistas aproximavam-se da cidade para dar combate a Prestes e às forças que ele arregimentara. Temendo um duelo sangrento, um grupo de senhoras dirigiu-se à Igreja Matriz para rezar e, juntamente com o então vigário da Paróquia, Monsenhor Wolski, fizeram uma promessa: se não houvesse combate entre revoltosos da Coluna Prestes e Legalistas, ergueriam uma Gruta na parte mais alta da cidade, colocando ali, a imagem de Nossa Senhora de Lourdes.
A graça foi alcançada e a promessa cumprida, no ano de 1926. Desde então, muitas pessoas referem pedidos atendidos pela invocação dessa santa e a gruta, que foi construída com pedras fossilizadas. A Gruta de Nossa Senhora de Lourdes tornou-se local de visitação de fiéis, peregrinos e turistas.
Referência no cenário político nacional
O Museu Municipal Senador Pinheiro Machado funciona no prédio que foi residência do senador, no centro da cidade. Em seu acervo encontram-se documentos históricos, fotos e objetos relacionados com as Missões, além de pertences de Getúlio Vargas, Luiz Carlos Prestes, Borges de Medeiros, Visconde de Pelotas Deodoro da Fonseca e do próprio Pinheiro Machado, figura ilustre no cenário político nacional no início do século passado. O rico acervo de armas revolucionárias também são destaques no local.
Já no Museu Arqueológico pode ser encontrado um acervo de fragmentos cerâmicos, pontas de flecha, pedras de boleadeiras, machado em pedra, resquícios de uma urna funerária do período anterior à formação das Missões, além da a Pia Batismal intacta da Missão de São Luiz Gonzaga e demais materiais arqueológicos, resgatados durante as pesquisas do professor Arno Kern, no Sítio Arqueológico de São Lourenço.
Guardiã de imagens barrocas
A construção da Igreja Matriz teve início em 1932 e foi Inaugurada em 1945. Augusto Preussler, então vigário, foi o autor do projeto em estilo gótico, que tem as seguintes medidas: 48m de comprimento; 22m de largura; 3 naves e 48m de torre. É a guardiã de 12 imagens de santos em estilo barroco missioneiro feito pelos índios e jesuítas da redução de São Luiz Gonzaga, tombados como Patrimônio Históricos Nacional, tendo à frente da Igreja uma coluna do antigo colégio jesuítico, que foi demolido em 1932 para se abrir uma rua. Numa das colunas, existe uma estátua do padre Roque Gonzales, fundador de São Nicolau e Mártir do Caaró.
Estudos missioneiros
Fundado em 1984, o Instituto Histórico e Geográfico São Luiz conta com uma biblioteca de 3000 títulos e espaço adequado para pesquisas. Dentre as atividades culturais promovidas pelo Instituto destacam-se os Estudos Missioneiros, que reúne historiadores renomados dos países que possuem reduções missioneiras: Brasil, Argentina e Paraguai.
Remanescentes do período jesuítico
Distante 30 km de São Luiz Gonzaga, pela BR 285, o Sítio Arqueológico São Lourenço é um dos Sete Povos das Missões fundado pelos padres Jesuítas da Companhia de Jesus. A Missão de São Lourenço Mártir foi criada pelo padre Jesuíta Bernardo de La Veja, no ano de 1690, entre São Luiz Gonzaga e São Miguel das Missões, com mais de dois mil indígenas, já catequizados da redução de Santa Maria La Mayor.
Hoje, o Sítio Arqueológico de São Lourenço Mártir é tombado como patrimônio Histórico Nacional protegido pelo IPHAN. No local é possível visitar remanescentes da igreja, da adega, e da escola, onde também são criadas as ovelhas da origem crioula Lanada, raça introduzida pelos jesuítas nas Missões e no RS.
Liderança destemida
Osório Santana Figueiredo escreve: “O Capitão Sepé, Alferes-Real e corregedor do povo de São Miguel nasceu em São Luiz Gonzaga, no ano de 1723. Sepé teria perdido os pais quando criança, sendo levado para São Miguel, onde fora criado por um padre, sendo uma liderança incontestável das reduções. Como Alferes Real era comandante das milícias, um tático inato às condições do terreno. Por ser destemido, ousado e astucioso, foi escolhido para liderar os índios missioneiros na Guerra Guaranítica, onde morreu lutando contra Portugal e Espanha”. O monumento a Sepé Tiarajú está localizada em frente à prefeitura de São Luiz Gonzaga.
Símbolo maior da poesia gauchesca
Jayme Caetano Braun era poeta, tradicionalista, declamador e payador, símbolo maior da poesia gauchesca, especializou-se em décima. Em seus versos retratou com conhecimento de causa os hábitos costumes e vicissitudes do gaúcho e do índio missioneiro, das paisagens das missões, resgatando a historia dos sete povos. Junto com Noel Guarany, Pedro Ortaça e Cenair Maicá, contaram as suas histórias de luta, garra e superação através da música.
“Não é à toa chomisco, que eu sou de São Luiz Gonzaga”
O Monumento a Jayme Caetano Braun está localizado no trevo da Cesa, junto a BR 285. Foi construído pelo escultor Vinícius Ribeiro, em concreto armado medindo 6m de altura, com doações da comunidade, movimento liderado pelas entidades culturais, CTG Galpão de Estância, Jornal A Noticia, Casa do Poeta, José Gattiboni Pacheco, Atelier Los Libres e Prefeitura Municipal. Com a frase “Não é à toa chomisco, que eu sou de São Luiz Gonzaga”, despertou um sentimento de orgulho na comunidade são-luizense e também naqueles que residem em outros estados.
Mais informações sobre as atrações turísticas e principais eventos de São Luiz Gonzaga podem ser obtidas junto ao setor de Turismo: 55 - 3353 2699.
Fotos: Emerson Scheis/Prefeitura Municipal de São Luiz Gonzaga